Série: foto que fala

menino na mesa

Fotografia inspiradora: By Ly Hoang Long

Acho que vou iniciar a série de escrever o que sinto e o que me lembra quando vejo uma foto bacana na net. Hoje mesmo ao ver essa, lembrei de um tempo, não muito longínquo, mas quase :D, em que a memória puxou os arquivos das doces recordações. Ficava a brincar com coisas simples, que hoje está a desaparecer, bonecas de pano, bola feita de casca de côco com barbante, panelas de barro, rodar pião de madeira ou de cortiça com barbante, brincar de bolas de gude e amarelinha.

Apesar (mas ainda que é a lei do progresso tudo melhorar e vir para facilitar a vida de nós humanos) dos eletrônicos e novas tecnologias, ainda sou da opinião que toda a nova geração deveria propiciar a seus filhos a oportunidade de ainda experimentar coisas simples, à exemplo do contato com a natureza. de uma forma geral (colocar os pés na terra, alisar animais, cheirar uma flor, nadar num rio ou riacho etc).

A foto me lembra de que também subia nas mesas e bancos para jogar comida para as galinhas, na casa do sítio de meus pais, quando as galinhas (ou galos rsrs) entravam casa a dentro e isso acontecia com certa frequências, pois eram criadas soltas. Era uma festa, elas já ficavam esperando. Pega escondido o milho e lá ia eu colocar num pratinho de alumínio para jogar para as galinhas. Às vezes, era farelo de trigo ou alguma coisa semelhante, quando não tinha o milho :). Posso fechar os olhos e lembrar com nitidez a cozinha da nossa casa no sítio,com tijolos aparentes no chão, uma estante de madeira rústica, forrada com papel decorado e lá era onde eram guardados pratos, canecas (não usávamos xícaras), panelas, potes com farinha, açúcar e café, principalmente. Arroz e feijão eram armazenados em sacos. Macarrão, minha mãe não comprava 🙂 . Cebolas e alhos eram empendurados em cordas na parede e geladeira não tinha, a comida era feita em fogo à lenha e após serem servidas as refeições, eram fervidas novamente para não estragar. Logo veio a geladeira a gás, que foi um sucesso e assim, aos poucos, as coisas modernas foram chegando.

Mas tive um trauma desse episódio em subir nas mesas e bancos. Um belo dia, ao descer, pisei num gatinho e ele quase morreu. Indescritível a dor que senti no coração quando isso aconteceu, não gosto nem de lembrar, mas graças a Deus que ele sobreviveu. Porém, por muito tempo, ainda sentia a sensação do tremor do corpinho dele nos meus pés.

Viu, como uma simples foto, puxa muitas lembranças? Podia ficar aqui falando mais, porém por hoje é só. Quem ler esse texto e sentir vontade de também puxar algum arquivo mental, fique super à vontade! Abraços carinhosos! ❤

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